A Regra sobre Atuação (Peças, Filmes etc.) e Anāshīd (“Músicas” Islâmicas) – Shaykh Aḥmad An-Najmī

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bismillah (1)

Pergunta: Foi feita uma pergunta ao nobre Shaykh Aḥmad bin Yaḥyā An-Najmī – que Allāh o preserve como Ele preserva Seus servos virtuosos – que é semelhante à pergunta anterior e ele também foi perguntado em relação à regra sobre peças islâmicas e assistir a elas. O questionador disse na sua pergunta, que Allāh o recompense [com o bem]:

As-salāmu ‘alaykum wa raḥmatullāh wa barakātuh,

Nós louvamos a Allāh, o Qual nada é digno de adoração, exceto Ele e nós suplicamos a Ele que o ajude com a Sua assistência e sucesso e que Ele o conceda a habilidade de servir ao Islām e de beneficiar os muçulmanos e dar a eles o entendimento das questões da sua religião e suas questões mundanas. Prosseguindo:

Vossa Eminência está consciente das peças de teatro e anāshīd que se espalharam entre um grupo de jovens nesse tempo, especialmente durante acampamentos de verão e também em outras ocasiões. Eles usam o Islām como uma justificativa para essas coisas. Eles dizem que essas peças combatem muitos dos dilemas com os quais os chamadores e defensores da retificação são incapazes de lidar.

A prova deles é que essas peças pintam uma imagem na sua mente e proporcionam [uma narrativa] vocal e isso será um remédio curativo para muitas das doenças da sociedade e para outras doenças também. Isso é porque nós lhes vemos nomeando-as de “peças religiosas” e “anāshīd islâmicos” e o que nós ouvimos daqueles que propagam esses falsos ditos nos induziu a escrever para a Vossa Eminência, esperando de Allāh, e depois de V.Em.ª, por uma clarificação sobre a decisão de Allāh e Seu Mensageiro ﷺ em relação a essas peças e anāshīd, para que todos possam se beneficiar e a verdade se torne aparente.

Resposta: Nós pedimos a Allāh que Ele ajude-o, conceda-lhe o sucesso e a correção. Pois, em verdade, Ele está em controle disso e Ele tem o poder para fazer todas as coisas.

Wa’alaykum us-salām wa raḥmatullāh wa barakātuh,

Eu peço ajuda, sucesso e correção de Allāh.

Todos os louvores são para Allāh e que a melhor menção e a paz estejam sobre o Mensageiro de Allāh, sua família e seus companheiros. Prosseguindo:

Primeiro: Atuação

Aquilo que é evidente para mim em relação a isso é que isso é proibido, pois isso é construído sobre um número de coisas proibidas e elas são como se segue:

  1. Mentira: Isso é porque atuar não está baseado, exceto sobre a mentira. Ela (a atuação) é baseada sobre isso e não é possível sem isso. Mentir é proibido e nenhum muçulmano tem qualquer dúvida sobre a sua impermissibilidade, já que Allāh censurou isso no Seu Livro e Ele censurou aqueles que fazem isso – melhor dizendo, Ele os amaldiçoou. Ele (عز وجل) disse:

ثُمَّ نَبْتَهِلْ فَنَجْعَل لَّعْنَتَ اللَّهِ عَلَى الْكَاذِبِينَ

“Então nós rezaremos e invocaremos a Maldição de Allāh sobre aqueles que mentem.” [Sūrah Āl ‘Imrān (3):61]

Há o ḥadīth do Profeta (ﷺ):

“Em verdade, a mentira leva à perversidade e, em verdade, a perversidade leva ao Fogo.” [Al-Bukhārī (nº 6094) e Muslim (nº 2067)]

  1. Fabricação e falsas declarações. Há o ḥadīth que o Profeta (ﷺ) disse:

“Quem quer que declare algo que não é dele por direito, então ele não é dentre nós.” [Al-Bukhārī (nº 3508) e Muslim (nº 112)]

  1. Encenações. Em verdade, o ator finge chorar, rir, estar triste, estar satisfeito e estar com raiva – e na realidade, eles estão mentindo.
  2. Assumir o papel de algum personagem específico. Às vezes um muçulmano assume o papel de um personagem não-muçulmano e o não-muçulmano ou o pecador fará o papel de um crente que é dentre as figuras líderes do Islām. Poderia ser um Companheiro, um nobre erudito/sábio ou até mesmo um rei justo. Isso é um crime maior.
  3. Os próprios atores creem que essas coisas são lícitas – [nós] tendo em mente que uma pessoa interpretando o papel de outra na sua aparência, [jeito de] andar e falar [então isso] é difamação e difamação é proibido. O Profeta (ﷺ) disse:

“Eu não amo personificar qualquer pessoa, mesmo se fosse dado a mim tal e tal [das coisas mundanas].” [Abū Dāwūd (nº 4875)]

  1. Eles ensinam o engano e a obscenidade. Quanto à declaração de que eles trazem a retificação, então isso é refutado pelos males que ocorrem como um resultado de assistir a essas terríveis peças.
  2. Esses atores que associam ao Islām auxiliaram os orientalistas, os inimigos do Islām, com um serviço enorme, porque eles confiam em narrações sobre a elite do Islām e os homens do Islām que foram fabricadas e a intenção por trás desses relatos é depreciar a estimada reputação deles. Então esses atores pegam essas mentiras e as espalham, ou eles estando a par disso e satisfeitos com isso, ou estando inconscientes disso, ou eles acreditando que essas narrações são autênticas.

Nisso eles proveram com um serviço aos orientalistas e retiraram a posição elevada do Islām e dos homens do Islām. Esse é um severo desserviço ao Islām e ao povo do Islām isso pode até mesmo levar o autor [desse ato] a cair em kufr (incredulidade).

  1. Os companheiros e aqueles que lhe seguiram foram movidos através de escutar o Qur’ān, a Sunnah e admoestações e eles não estavam em necessidade de peças (teatrais, filmes etc.).

Segundo: Músicas (Anāshīd)

Nós dizemos que poesia sem vulgaridades e que serve como um encorajamento para participar no Jihād [legislado], que é uma inspiração para fazer ações nobres e que louva o povo da virtude, ou serve como uma prevenção da imoralidade e critica o seu povo [então não há mal nisso], poesia esta que não viola indevidamente a honra de um muçulmano e que não contem qualquer louvor exagerado ilícito. Esse tipo de poesia foi lido na presença do Profeta (ﷺ) e ele escutava a isso [i.e. prestando atenção] e ouvia isso [sendo recitado] na sua mesquita.

Por essa razão nós dizemos que se a poesia dos anāshid são iguais a essas e se elas são recitadas por um único homem em ocasiões diversas sem se tornar uma prática comum e sem distrair as pessoas daquilo que é de importância primária, então não há nada de errado com isso.

No entanto, se anāshīd são tomados como uma rotina diária, recitadas com uma voz melodiosa [como se estivesse cantando] e seguidas por um grupo de cantores de apoio (“backing vocals”) que cantam juntos, então isso envolve em três inovações:

  1. A inovação de recitar esses anāshīd em uma voz melodiosa, que envolve a produção de tons musicais através de alterar a voz.
  2. A inovação de se congregar para recitar anāshīd, porque os Salaf não faziam isso.
  3. Nós não sabemos de qualquer pessoa que iria fazer atos de adoração através de cantar canções, exceto os Ṣūfīyah (Ṣūfīs) e eu temo que após um período de tempo eles tomem o canto como um ato de adoração. Os Ṣūfīyah começaram recitando poemas sobre zuhd (asceticismo) e o desejo pelo Paraíso com uma voz melodiosa. Então eles adicionaram a isso.

AshShāfi’ī disse:

“Eu deixei para trás um povo no ‘Irāq dentre os hereges que inovaram uma coisa que eles chamam de at-taghyīr, que eles usam para distrair o povo do Qur.ān.”

Ibn Al-Jawzī (m. 597 H) disse, depois de citar as palavras de AshShāfi’ī mencionadas acima:

“Abū Manṣūr Al-Azharī mencionou sobre os Mughayyirah [dizendo]: ‘Eles são um povo que tenta modificar e modifica a lembrança (dhikr) de Allāh, a súplica e o mostrar-se humilde [perante Allāh]. Eles se referiam aos poemas que eles recitavam/cantavam em “lembrança” de Allāh como at-taghyīr.’

Az-Zujāj disse: ‘Eles eram chamados de Mughyyirīn como um resultado deles instigarem as pessoas a desistir daquilo que irá perecer [ou seja, das belezas desse mundo] e a fazê-los desejar a Vida Eterna.’ Abū Al-Ḥārith narrou do Imām Aḥmad que ele disse: ‘At-taghyīr é uma bid’ah (inovação).’ Foi dito a ele: ‘Mas isso amolece o coração.’ Ele respondeu: ‘Isso de fato é uma bid’ah.’

Ya’qūb Al-Hāshimī narrou do Imām Aḥmad que ele disse: ‘At-taghyīr é uma bid’ah muḥdathah (inovação inventada).’ Ya’qūb bin Bakhtān narrou de Aḥmad que ele disse: ‘Eu detesto at-taghyīr.’

Também foi transmitido do Imām Aḥmad que ele proibia escutar isso.

Ismā’īl bin Isḥāq AthThaqafī narrou do Imām Aḥmad que ele foi perguntado sobre escutar esse tipo de poema e ele disse: ‘Eu o detesto. Isso é bid’ah e não se deve se sentar com essas pessoas.”

Esse é o fim da fala de Ibn Al-Jawzī, que foi tirada do seu livro “Al-Muntaqā An-Nafīs min Talbīs Iblīs”, pág. 298 em diante.

Se isso é entendido, então eu temo que quanto mais o tempo se passe, o shayṭān irá enganar as pessoas, assim como ele fez com os Ṣūfīyah em tomar isso como um ato de adoração e elas irão adicionar a isso outros atos proibidos como bater o tambor e a dança. [1]

Que Allāh nos proteja daquilo com o que ele os testou e os tribulou. E que a boa menção e a paz de Allāh estejam sobre nosso Profeta Muḥammad, sua família e seus Companheiros.

[1] Nota do tradutor original: O que o Shaykh temia – e pior – realmente se sucedeu. Esse é um exemplo do discernimento do Shaykh (raḥimahullāh). Como Al-Ḥasan Al-Baṣrī (m. 110 H, raḥimahullāh) disse: “O ‘Ālim (sábio, erudito) reconhece a fitnah (tribulação) quando ela se aproxima e a pessoa ignorante a reconhece quando ela partiu.” Vide Al-Ḥilyah (9/24) de Al-Aṣbahānī.

Fontes:

  • Al-Fatāwā Al-Jalīyah ‘an Al-Manāhij Ad-Da’awīyah (pergunta 45, págs. 39-41), do Shaykh Al-‘Allāmah Aḥmad bin Yaḥyā An-Najmī (raḥimahullāh)
  • E sua tradução para a língua inglesa: The Precise Veredicts Regarding the Deviant Methodologies (págs. 62-67)

Traduzido originalmente por: Abu ‘Abdillah Hasan As-Somali

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