Quando Falar Mal pelas Costas É Permissível – Imām An-Nawawī

terreno desolado
bismillah (1)

Saiba que apesar de que falar mal pelas costas é proibido, essa ação torna-se permitida em determinadas circunstâncias, por uma razão benéfica. O que faz com que seja permitida é um objetivo válido e legítimo, que não pode ser alcançado exceto por fazê-lo (i.e. falar mal pelas costas). Esses objetivos podem ser divididos em seis categorias:

  1. Opressão: É permissível para aquele que é oprimido queixar-se sobre sua situação para o governante, o juiz ou alguém mais que tem autoridade ou a habilidade para conceder-lhe justiça contra seu opressor. Ele deve dizer: “Fulano me injustiçou”, “ele fez tal coisa comigo”, “ele me forçou dessa maneira” e assim por diante.
  2. Procurar assistência em mudar um mal ou retornar o pecador para o que é correto: Deve-se dizer para o indivíduo que ele espera que tenha capacidade para colocar um fim no erro “Fulano fez isso, então o impeça” ou alguma coisa neste sentido. Seu objetivo deve ser olhar para uma maneira de colocar um fim no mal. Se ele não intenciona isso como um objetivo, então isso é proibido (para ele mencionar isso).
  3. Procurar uma fatwa (regra religiosa): Deve-se dizer para o muftī (aquele que é capaz de dar fatwa) “Meu pai”, “Meu irmão” ou “Fulano me injustiçou dessa maneira” “Ele tem o direito de fazer isso?” “Como eu devo colocar um fim nisso e obter meu direito enquanto repelindo a opressão de mim mesmo?” e assim por diante. Isso é permissível devido a necessidade, no entanto, para ser mais cauteloso, é melhor para a pessoa dizer: “O que você diz sobre um homem que fez tal e tal coisa? ou “relativo a um marido” ou “relativo a uma esposa que fez tal e tal?” (sem dizer “meu/minha”), etc. Fazendo isso, o objetivo é alcançado sem ter que recorrer a especificar qualquer um. No entanto, especificar um indivíduo por seu nome é permissível (nessa circunstância), baseado no hadīth de Hind (randiallāhu ‘anhā), o qual nós devemos mencionar depois, in shā Allāh, no qual ela contou para o Mensageiro de Allāh: “Em verdade, Abū Sufyān (seu marido) é um homem mesquinho.” E o Mensageiro de Allāh (ﷺ) não proibiu-a de dizer isso.
  4. Alertando e aconselhando os muçulmanos contra o mal: Há muitas perspectivas disso, uma das quais é declarar uma pessoa não confiável no campo de narrar hadīth e dar testemunho. Isso é permissível fazer de acordo com a Ijmā’ (consenso dos sábios muçulmanos). Ao contrário, se torna obrigatório devido a necessidade para isso. Outro caso é quando um indivíduo deseja entrar em um relacionamento com outra pessoa, quer seja pelo casamento, por negócios, pela expedição de bens, pelo expedidor ou qualquer outro assunto diário. É obrigatório sobre você mencionar o que você sabe sobre essa pessoa que ele quer se envolver com a intenção de aconselhá-lo. Se o seu objetivo pode ser alcançado dizendo simplesmente: “Não é bom para você se envolver com ele nas transações comerciais” ou “em um relacionamento pelo casamento” ou por dizer: “Você não deve fazer isso” ou alguma coisa similar, então adicionar mais que isso, tal como mencionar suas características ruins não é permissível. E se seu objetivo não pode ser alcançado não pode ser alcançado exceto se explicando especificamente a condição dessa pessoa para ele, então você deve mencionar para ele em detalhes. Outro caso é quando você vê alguém comprando um produto de um indivíduo que é conhecido por roubar, fornicar, beber (i.e. álcool) ou outras coisas harām além dessas. Então, está sobre você informar o comprador disso, contando que ele já não sabe disso. E nesse caso não é especificado somente a esse exemplo. Ao contrário, isso também se aplica para quando você sabe que a mercadoria que está sendo negociada é defeituosa. É obrigatório sobre você clarificar essa questão para o comprador, se ele não está ciente disso. Outro caso é quando você vê um estudante indo para um inovador ou um desviado, buscando alcançar o conhecimento dele e você teme que isso pode afetar o estudante. Nessa situação, você deve aconselhá-lo o estado da sua inovação, nessa condição que sua intenção é somente em buscar o aconselhamento. E isso é algo no qual muitas pessoas caem no erro, talvez a pessoa que está falando pode fazer isso (aconselhar) porque ele está com ciúmes (da pessoa que ele está alertando contra). Ou talvez o shaytān pode enganá-lo sobre essa questão, causando-o a acreditar que o que ele está fazendo é aconselhar e mostrar compaixão, então ele acredita nisso. Um último caso é quando é quando uma pessoa tem certo papel de líder, o qual ele não completa devidamente seja porque ele não é apto para isso ou porque ele é pecador ou negligente, etc. Então, nesse caso, uma pessoa deve mencionar isso para aqueles que tem liderança geral acima dessa pessoa, para que ele possa removê-la e colocar alguém mais apto no comando. Ou aqueles que tem o comando acima dele possam saber disso sobre ele então eles possam lidar com ele adequadamente e não serem enganados por ele, e então que eles possam fazer os devidos esforços para encorajá-lo a ser justo ou substituí-lo.
  5. Quando uma pessoa abertamente expõe seus maus atos ou sua inovação – Um exemplo disso é quando alguém expões abertamente seu consumo de álcool, sua confiscação ilegal do dinheiro das pessoas, aumenta suas taxas injustamente e seu comando usurpado injustamente. Mas é proibido mencionar qualquer um de seus defeitos, a não ser que eles caiam em uma das categorias na qual nós mencionamos que falar mal pelas costas é permissível.
  6. Definindo alguém: Se uma y é conhecida pelas pessoas por seu alcunha (apelido) tal como “o olho turvo”,”aquele que manca”, “o cara surdo”, “o cara cego”, “vesgo”, “nariz chat” e outros além desses, assim é permissível particularizá-lo como tal. com o objetivo de identificá-lo. No entanto, é proibido aplicar isso para ele quando a intenção é denegri-lo. Se ele pode ser identificado com outro (mais apropriado) tipo de nome, então isso é mais preferível.

Esses são os seis casos nos quais os sábios declararam que falar mal pelas costas é permissível, se isso é feito de acordo com as orientações que nós mencionamos acima.

As evidências para a permissibilidade de falar mal pelas costas podem ser achadas nos autênticos e bem conhecidos ahadīth. Além disso, há uma concordância entre os sábios em relação a permissibilidade de falar mal pelas costas nesses seis casos.

É relatado nos Sahīh Al-Bukhārī e Muslim:

‘Aishah (radiallāhu ‘anhā) disse: “Um homem pediu permissão ao Profeta ﷺ para entrar (na sua casa) então ele disse:’Permita-o entrar e que mal irmão ele é para seus parentes.” [Coletado por Al-Bukhārī (10/471 de al-Fath) e Muslim (n° 2591).

Al-Bukhārī usava esse hadīth como evidência para a permissibilidade de falar mal pelas costas das pessoas de malícia e dúvidas.

Ibn Mas’ūd (radiallāhu ´anhu) narrarou: “O Mensageiro de Allāh ﷺ dividiu uma porção (de espólio de guerra entre as pessoas), então um homem dos Ansār disse: ‘Eu juro por Allāh, Muhammad não intenciona a face de Allāh por isso (i.e. ele não foi justo).’ Então eu fui ao Mensageiro de Allāh e informei-o disso. Sua face mudou (i.e. ele ficou furioso) e disse: “Que Allāh tenha misericódia de Mūsa (Moisés). Ele foi, em verdade, abusado com (coisa) maior que isso, mas ele foi paciente.”[Sahīh – Coletado por Al-Bukhārī e Muslim e sua verificação se precedeu.]

Em alguns relatos de hadīth, Ibn Mas’ūd disse: “Eu disse: Eu não vou colocar outro hadīth para ele de novo, depois disso.”

Al-Bukhārī usou esse hadīth como prova que uma pessoa é permitida a informar seu irmão do que está sendo dito sobre ele.

‘Aishah (radiallāhu ‘anhā) relatou que o Profeta ﷺ uma vez disse: “Eu não penso que esta pessoa e essa pessoa sabem alguma coisa de qualquer modo da nossa Religião.” [Sahīh – Coletado por Al-Bukhārī (10/485 de al-Fath).]

Al-Laith bin Sa’ad, um dos narradores das cadeias de hadīth disse: “Eles foram dois indivíduos dentre s hipócritas (do seu tempo).”

Zayd bin Arqam (radiallāhu ´anhu) relatou: “Nós partimos em uma jornada com o Profeta e as pessoas sofreram grandes dificuldades (devido a carência de provisões). Então ‘Abdullāh bin Ubay* disse para seus companheiros: “Não gastar com aqueles que estão com o Profeta de modo que eles podem se dispersar e se distanciar dele.’ Ele disse: ‘Se nós retornarmos a Madīnah, certamente, o mais honrável vai expelir os de corações humildes a partir dele. Então eu fui ao Mensageiro de Allāh ﷺ e informei-o disso. Ele enviou para ‘Abdullāh bin Ubay e perguntou-o, mas Abdullāh bin Ubay jurou que ele não disse isso. Então as pessoas disseram: ‘Zayd contou uma mentira para o Mensageiro de Allāh.’ E o que eles disseram me afligiu muito. Depois Allāh revelou a confirmação da minha afirmação no Seu dito: ‘Quando os hipócritas vem para você…’ (Sūrah al-Munafiqīn). [Sahīh – Coletado por Al-Bukhārī (8/664 e 646 – 648 de al-Fath) e Muslim (2772).]

Também há o hadīth de Hind (radiallāhu ´anhā), a esposa de Abū Sufyān, no qual ela disse para o Profeta ﷺ:

“Em verdade, Abū Sufyān é um homem mesquinho.” [Sahīh – Coletado por Al-Bukhārī (9/504 de al-Fath) e Muslim (1714).]

E também o hadīth de Fātimah bint Qays (radiallāhu ´anhā):

Quando o Profeta ﷺ disse para ela (com relação a ela aceitar as propostas de casamento de dois pretendentes: “Quanto a Mu’awiyah, então ele é completamente pobre. E quanto Abu Jahm, então ele não deixa de tirar a vara de seu ombro (i.e. ele bate nas suas esposas).” [Sahīh – Coletado por Muslim]

*Nota do tradutor em inglês: Ele (i.e.’Abdullāh bin ‘Ubay) foi o líder dos hipócritas de Madīnah. Após a sua morte, Allāh revelou versículos comandando o Profeta ﷺ a não fazer a oração fúnebre sobre ele.

Tradução: Yahya Simões

Fonte: Livro “Al-Adhkār” do Imām An-Nawawī, com verificação de ḥadīth por Saleem bin ‘Eid Al- Hilaalee.

Tradução original: https://abdurrahman.org/2015/04/16/what-type-of-backbiting-is-permissible-imaam-an-nawawee/

Traduzido originalmente por: Abu Maryam Isma’eel Alarcon

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