O Debate de Ibrāhīm com Nimrūd e os Dois Pontos Originais do Shirk

bismillah (1)

أَلَمْ تَرَ إِلَى الَّذِي حَاجَّ إِبْرَاهِيمَ فِي رَبِّهِ أَنْ آتَاهُ اللَّهُ الْمُلْكَ إِذْ قَالَ إِبْرَاهِيمُ رَبِّيَ الَّذِي يُحْيِي وَيُمِيتُ قَالَ أَنَا أُحْيِي وَأُمِيتُ ۖ قَالَ إِبْرَاهِيمُ فَإِنَّ اللَّهَ يَأْتِي بِالشَّمْسِ مِنَ الْمَشْرِقِ فَأْتِ بِهَا مِنَ الْمَغْرِبِ فَبُهِتَ الَّذِي كَفَرَ ۗ وَاللَّهُ لَا يَهْدِي الْقَوْمَ الظَّالِمِينَ

Não reparaste naquele que disputava com Ibrahīm (Abraão – عليه السلام) sobre seu Senhor, porque Allāh lhe concedeu o reino? Quando Ibrahīm lhe disse: “Meu Senhor é Quem dá a vida e a morte!” Ele disse: “Eu também dou a vida e a morte.” Ibrahīm lhe disse: “Allāh faz sair o sol do Oriente, faze-o tu sair do Ocidente.” Então o incrédulo ficou totalmente derrotado. E Allāh não guia o povo que é Zalimun (pecadores, malfeitores etc).” [Al-Baqarah (2): 258]

Ibrahīm (Abraão – السلام عليه) debateu com Nimrūd que afirmou que, se Allāh é Quem controla a vida e a morte, então ele próprio é uma divindade que merece obediência porque ele também controla a vida e a morte.

Ibn al-Qayyim, raḥimahullāh, explica¹ que Nimrūd disse que poderia dar a vida e a morte deixando um grupo de pessoas ficar com tanta fome a ponto de morrer e então permitir que alguns vivam alimentando-os e deixando outros morrerem. Ou poupando a vida de um homem a quem ele tinha intencionado matar, enquanto matando outro.² Portanto, isto é dar e tirar a vida e, como tal, Nimrūd se considerava uma deidade através deste caminho, como alguém digno de obediência, reverência e adoração. Ele não alegou dar e tirar a vida na realidade, independentemente, mas alegou que ele tinha o controle sobre a vida e a morte, assim como Allāh controla a vida e a morte. Então, como ele tem a mesma qualidade, ele deve ser adorado e obedecido.

Assim, a resposta de Ibrahīm foi dizer:Allāh faz sair o sol do Oriente, faze-o tu sair do Ocidente.” [2:258] Deste modo, Nimrūd ficou confundido e ficou estabelecido que Allāh é Quem dá a vida e a morte independentemente – através do que Ele tem criado por meio do Seu Poder e Vontade – de sistemas e séries de causa-efeito, incluindo o sol, o ar, a água e outras entidades – e que somente Ele é digno de adoração, não homens que morrem e nem os corpos celestes que são criados e governados por Allāh.

Imām al-Sa’dī, rahimahullāh, menciona citando Ibn al-Qayyim, que neste versículo há uma refutação dos dois tipos de pontos de origem para todo shirk (politeísmo) no mundo. O primeiro é a adoração para o mortos virtuosos, conduzindo para a adoração de túmulos e idolatria. E o segundo é a veneração e adoração dos corpos celestes, o sol, a lua e as estrelas.³

O primeiro tipo de shirk surge devido ao exagero no status das [pessoas] virtuosas e o Satanás apela à afinidade natural que as pessoas têm em relação às pessoas de virtuosidade, honestidade e piedade. Ele usa essa afinidade para atrair as pessoas passo a passo para venerá-las e adorá-las. Então a refutação disso é que, como Allāh é Quem dá a vida e a morte, ninguém além d’Ele é digno de veneração e adoração, já que a vida deles é concedida a eles por Allāh e eles também morrem, enquanto Allāh é o Vivo que nunca morre.

O segundo tipo de shirk é um tipo filosófico e científico de shirk no qual propriedades são atribuídas a entidades criadas, particularmente os corpos celestes – porque eles provocam admiração e pavor – levando ao shirk do ta’ṭīl, que significa retirar entidades criadas do Criador deles e dando a elas independência de seu Criador. Portanto, são atribuídas a essas entidades criadas propriedades que vão acima e além do conjunto de propriedades naturais (ṭabī’ah) que lhes foram dadas por seu Criador, que é a causa (musabbib) de todos os sistemas de causa e efeito (asbāb wal-musabbabāt). Eles são creditados com os atributos do Causador de todas os efeitos e causas naturais. Este é o shirk dos ateus, naturalistas e materialistas dos dias modernos, que são simplesmente versões mais sofisticadas dos adoradores da natureza de tempos passados, salvo que eles são capazes de disfarçar sua adoração primitiva à natureza através de linguagem técnica, sofisticada e codificada. No entanto, ao contrário dos adoradores da natureza do passado, eles são motivados pela arrogância, porque detestam que deveria haver uma “autoridade cósmica”. Deste modo, eles, os dois grupos, são duas faces da mesma moeda. Ou é dada à natureza os atributos de conhecimento, vontade, sabedoria, poder e então ela é adorada pelos primitivos, ou esses atributos são dados a ela pelos modernos através de linguagem técnica e codificada, a fim de evitar se submeter ao Criador de todos os sistemas de causa-efeito, Aquele que dá a vida e a tira.

Então ambos os tipos de shirk são refutados por este versículo, nas evidências citadas por Ibrāhīm (Abraão – السلام عليه). Ibn al-Qayyim disse: “E dentro desse argumento há um ponto muito sutil que é: o shirk (politeísmo) no mundo é baseado em adoração dos corpos celestes e dos túmulos. Então os ídolos foram moldados em suas formas – como precedeu. Assim, as duas evidências que Ibrāhīm usou incluem invalidação completa de divindade (alegada) por eles em que Allāh é Aquele que dá a vida e a morte e o ser vivo que morre não merece status divino (que requer adoração) – nem em seu estado de vida nem após sua morte. Pois tal pessoa tem um Senhor que é Poderoso, subjuga e Aquele que regula o dar e receber de vida em relação a ele. E quando tal pessoa é assim, então como ele pode ser uma divindade, ao ponto em que um ídolo é tomado na sua forma e é adorado além d’Ele?! Da mesma forma, os corpos celestes que são mais aparentes e maiores na percepção. Este sol é criado, controlado, subjugado, não tem [vontade própria] de qualquer ângulo em seu comportamento. Pelo contrário, seu Senhor e Criador, elevado Seja, é Quem o traz do Oriente e então ele cumpre com o Seu comando e vontade. Por isso, ele é criado, sujeito, controlado e não é uma divindade que é adorada além de Allāh.4

1 Vide Miftāḥ Dār as-Sa’ādah (3/211).

2 Isto é explicado pelo mufassirūn tais como Qatādah, Mujāhid, Zayd bin Aslam, Ibn Jurayj, As-Suddī, Ar-Rabī, Ibn Wahb e outros.

3 Veja em Miftāḥ Dār al-Sa’ādah (3/192).

4 Veja em Miftāḥ Dār al-Sa’ādah (3/210-211).

Tradução: ‘Aishah Barletta

Texto original: http://www.tawhidfirst.com/monotheism/articles/zcovn-the-debate-of-abraham-with-nimrud-and-the-two-origin-points-of-shirk.cfm

Autor original: Abu ʿIyaaḍ Amjad Rafiq

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