Jejum no Ramaḍān: Suas Virtudes, Seus Sinais e Regras – Uthaymīn, Fawzān e Rabī’ al-Madkhalī

bismillah (1)

R 2

Allāh obrigou o jejum sobre a nação de Muḥammad ﷺ assim como Ele obrigou sobre as nações anteriores:

“Ó, vós que credes! O jejum foi prescrito para vós assim como foi prescrito para aqueles antes de vós, a fim de que vós sejais dentre Al-Muttaqūn (piedosos).” [Al-Baqarah (2): 183]

Isso foi feito obrigatório sobre os muçulmanos no segundo ano depois da sua migração de Makkah para Madīnah. O Mensageiro de Allāh ﷺ jejuou nove Ramaḍāns antes de sua morte. O significado religioso do termo em árabe “ṣiyām” é impedir intencionalmente de quebrar o jejum, tanto fisicamente por não comer, beber ou se envolver em relações sexuais; nem violá-lo espiritualmente, caluniando, zombando, falando falsidade, xingando, mentindo, usando linguagem obscena, ouvindo e olhando para o que Allāh proibiu.

[O jejum] começa no início do Fajr verdadeiro (ou seja, no amanhecer verdadeiro) e vai até o pôr-do-sol. Se uma pessoa se abstém dessas questões, mas não tem a intenção de jejum, então ele não jejuou. O Profeta ﷺ disse:

“De fato, as ações são de acordo com as intenções e cada pessoa será recompensada pelo o que intencionou.”

Então se uma pessoa se abstém da comida e da bebida do começo do amanhecer até o pôr-do-sol, mas não intencionou isso para Allāh, então ele não está jejuando. Uma pessoa deve também deve se abster das violações espirituais como mencionado acima, porque elas reduzem a recompensa da pessoa jejuando ou ele pode até mesmo perder toda a recompensa, porque ele está muito imerso em pecado e transgressão. O Profeta ﷺ disse:

“Aquele que não abre mão da fala falsa e agir sobre isso; e desistir do comportamento ignorante, então Allāh não tem necessidade dele se abstém da comida e da bebida.” [Al-Bukhārī, nº 6057]

Ele ﷺ também disso:

“Jejuar não é somente de comida e de bebida, mas, antes disso, se abster (também) da fala falsa e das relações sexuais.” [Al-Ḥakīm, 1/430, autêntico]

Assim, a pessoa que se abstém de comida, bebida e relações sexuais (das coisas físicas que quebram o seu jejum), ainda assim, ele não se abstém das violações espirituais tais como falar mal pelas costas, contar histórias e outros pecados, então ele não jejuou verdadeiramente o jejum que lhe foi exigido pelo seu Senhor. Portanto, é possível que ele receba pouca ou nenhuma recompensa por seu jejum.

O jejum começa no início do Fajr verdadeiro, atento ao fato de que o primeiro Fajr, não proíbe uma pessoa e comer e beber, porque o jejum não começa no primeiro Fajr, nem a oração do Fajr é permitida no primeiro amanhecer. O primeiro Fajr é reconhecido por uma luz vertical que aparece no horizonte seguida pela escuridão, e também é chamado de falso Fajr. Quanto ao segundo Fajr, o amanhecer verdadeiro, é uma brancura horizontalmente espalhada pelo horizonte, e não há escuridão depois dele, apenas um brilho crescente no céu. É nesse ponto que alguém para de comer e beber e se prepara para fazer a oração do Fajr. Allāh, O Altíssimo, declarou:

“E comei e bebei até que o fio branco (luz) da alvorada apareça para vós distinto do fio negro (escuridão da noite); então completai o vosso jejum até o anoitecer.” [Al-Baqarah (2): 187]

O Profeta ﷺ encorajou fortemente aos muçulmanos a fazer a refeição de antes do amanhecer (ṣaḥūr) e a não deixar isso. Infelizmente muitos muçulmanos hoje são negligentes quanto a refeição do amanhecer e deixou, assim, uma Sunnah importante.

Então, a pessoa jejua até a noite, que se refere ao pôr-do-sol. Se o sol se pôs e a escuridão aparecem no Leste, o jejum do muçulmano terminou, exatamente como o Profeta ﷺ disse:

“Quando a noite chega daqui o dia termina dali e o sol se pôs, o jejuador quebra o seu jejum.” [Al-Bukhārī, nº 1954]

E o Profeta ﷺ encorajou sua Ummah a se apressarem a quebrar o jejum e não atrasar:

“As pessoas não deixarão de permanecer na bondade enquanto se apressam para a quebra do jejum.” [Al-Bukhārī, nº 1957]

O Profeta ﷺ quebraria seu jejum com tâmaras frescas e se ele não conseguisse encontrar nenhuma, então com tâmaras secas e se não encontrasse, ele tomaria alguns bocados de água. É melhor ter um ifṭār (refeição da quebra de jejum) leve com tâmaras e água e então rezem como o Profeta ﷺ rezaria. Comer demais e encher o estômago com várias variedades de comida e bebida durante o ifṭār está em oposição à Sunnah; portanto, deve-se comer com moderação.

A sabedoria por trás da prescrição do jejum é clara, Allāh, O Altíssimo, diz: “A fim de que vós sejais dentre Al-Muttaqūn (piedosos).” Isso ocorre porque o jejum não permite que a alma cumpra seus desejos com relação a comida, bebida, relações sexuais, coisas que, se não forem endurecidas, podem levar a ingratidão, transgressão e negligência da lembrança de Allāh, O Altíssimo. Então, quando ele está em jejum, os desejos são enfraquecidos e constringem os caminhos para o Shayṭān, porque o Shayṭān flui através dos filhos de Ādam, assim como o sangue flui. Deste modo, o jejum enfraquece os caminhos do Shayṭān para o humano, enfraquece os desejos e quebra o vigor, de modo que o coração é amolecido. É por essa razão que Allāh, O Perfeito, disse: “A fim de que vós sejais dentre Al-Muttaqūn (piedosos).” Assim, através do jejum, a pessoa alcança piedade e se torna intensamente consciente de sua fraqueza diante de Allāh e de sua total confiança n’Ele (O Altíssimo) e de sua necessidade por Ele. Também sendo lembrado dos favores de Allāh sobre ele: a bênção da comida e da bebida. Lembrando também dos necessitados – portanto, quando sofre de fome e de sede, lembra-se dos menos afortunados e necessitados, e sente compaixão por eles. É um mês em que os portões do Paraíso estão abertos e nenhum está trancado; e os portões do Inferno estão fechados e nenhum está aberto; é o mês do perdão em que os demônios são reprimidos. [At-Tirmidhī, nº 682]

O jejum tem enormes benefícios e grande sabedoria. O Profeta ﷺ disse:

“Toda boa ação do filho de Ādam será multiplicada por várias. Uma boa aão será multiplicada dez vezes até setecentas vezes, ou o quanto Allāh desejar. Allāh diz: ‘Exceto pelo jejum, que é para Mim e Eu o recompensarei. Ele (o jejuador) desiste de seu desejo e de sua comida por Minha causa.’ A pessoa em jejum tem dois momentos de alegria: um quando ela quebra o seu jejum e a outra quando encontra seu Senhor. O cheiro que sai da boca do jejuador é melhor com Allāh do que a fragrância do almíscar (perfume).” [Ibn Mājar, nº 1638]

Isso mostra a excelência do jejum sobre o restante das ações. Allāh obrigou o jejum durante todo o mês do Ramaḍān. Ele, O Altíssimo, declarou:

“Então, quem de vós que testemunhe (a lua crescente da primeira noite de) o mês (do Ramaḍān), então que ele jejue esse mês. E quem quer que esteja doente ou em uma viagem, o mesmo número de dias (deve ser refeito) dentre os outros dias.” [Al-Baqarah (2): 185]

Allāh obrigou o jejum neste mês sobre o muçulmano saudável e residente; e Ele concedeu um subsídio para o doente e o viajante, para que ele quebrasse o jejum e recuperasse o que perdeu depois do Ramaḍān. Portanto, o jejum é uma obrigação para todo o muçulmano adulto sadio seja cumprindo sua obrigação no Ramaḍān, isto é, para o saudável e residente; ou refazendo depois, isto é, para a pessoa doente, a mulher menstruada ou o viajante.

O Mensageiro de Allāh ﷺ disse:

“Quando veres (a lua crescente na primeira noite do mês) comece a jejuar, e quando a veres novamente cessa de jejuar, e se estiver nublado, complete os trinta dias.” [Al-Bukhārī e Muslim]

Este ḥadīth prova que o mês começa e termina com a observação da lua crescente, uma observação de pelo menos um muçulmano confiável, e se não for vista, os trinta dias do mês que antecede o Ramaḍān são contatos na íntegra. Os muçulmanos também devem se esforçar para avistar a lua na noite anterior ao trigésimo dia de jejum (ou seja, no dia 29), e se não for avistada deverão jejuar por trinta dias inteiros. Vemos que o Mensageiro de Allāh ﷺ apegou o jejum à visão visual da lua e não através dos cálculos. Cálculos pré-determinados para o início e o fim do Ramaḍān não são permitidos; é considerado um desvio, uma inovação na religião nunca praticada pelo Profeta ﷺ e nem seus Companheiros ou estudiosos das primeiras gerações. Os muçulmanos jejuam desde o tempo do Profeta ﷺ e sempre confiaram nos avistamentos da lua com os olhos. Agora, surgiram pessoas que afirmam que a união dos muçulmanos está em um começo e um fim unidos para o Ramaḍān! Na realidade, no entanto, a união dos muçulmanos é manter uma crença única, a crença de que Allāh Sozinho deve ser adorado, e seguir a Sunnah do Profeta ﷺ e o caminho de seus Companheiros abandonando as práticas inovadoras na religião. Essa é a base da união. Em vez disso, encontramos pessoas formulando suas próprias opiniões e cada grupo tendo suas próprias crenças. A união não será alcançada assim. E, por uma questão de argumento, se todos jejuassem juntos no mesmo dia e parassem de jejuar no mesmo dia, ainda assim não teriam alcançado a unificação dos muçulmanos!

Ibn ‘Umar, que Allāh esteja satisfeito com ele, avistou sozinho a lua do Ramaḍān; então ele informou o Profeta ﷺ disso e ele se virou e comandou as pessoas para jejuar.” [Abū Dāwūd, nº 2342]

Esta tradição permanece nesse dia e todos os louvores são devidos a Allāh.

Os Predecessores Virtuosos da Ummah (os Salaf) prestariam atenção especial a esse tremendo mês, exercendo-se na recitação do Qur.ān, lembrança abundante (dhikr) e abstendo-se de atos de desobediência. O jejum não é apenas abster-se de comer e beber; é também abster-se de todos os assuntos que Allāh, O Altíssimo, odeia do pecado e da desobediência. Assim, as primeiras gerações se esforçariam na obediência de Allāh (O Perfeito) e seriam sinceros com Allāh nesse virtuoso ato de jejuar. Foi narrado por Imām Mālik (M. 179H) que ele ensinaria as pessoas durante todo o ano, mas quando o mês do Ramaḍān chegou, ele dedicaria seu tempo ao jejum e à recitação do Qur.ān. Portanto, você deve dar importância à recitação do Qur.ān neste mês, além de ponderar e refletir sobre ele, fazendo suas advertências, abstendo-se de suas proibições, entendendo os assuntos permitidos e os que são proibidos e entendendo as ameaças de punição e promessas de recompensa.

O Mensageiro de Allāh ﷺ disse:

“Aquele que jejua no Ramaḍān com fé verdadeira e esperando pela recompensa, então seus pecados anteriores serão perdoados.” [Al-Bukhārī e Muslim]

A recompensa pelo jejum é imensa e sem mesuras; e jejuar requer paciência sobre a obediência de Allāh; e paciência em se abster das Suas proibições; e paciência sobre os Decretos difíceis de Allāh que causam angústia e sofrimento, como fome, sede, fraqueza no corpo e na alma. Então, o jejum reúne esses três tipos de paciência. E quando todos os três são respeitados, o jejuador é considerado entre os pacientes adoradores, exatamente como Allāh declarou:

“Somente aqueles que são pacientes receberão sua recompensa total sem medida.” [Al-Zumar (39): 10]

Meus irmãos e irmãs, as virtudes do Ramaḍān não são alcançadas até que alguém jejue da maneira correta. Portanto, esforce-se para aperfeiçoar seus jejuns e permanecer dentro dos limites, e arrependa-se de Allāh por suas deficiências. Encha seus dias com obediência e virtuosidade, e suas noites com oração, recitação e súplica.

Referências:

  • Tas-hīlul-Ilmām do Shaykh Ṣāliḥ Al-Fawzān, vol. 3, pg. 193-210.
  • net do Shaykh Rabī’ ibn Hādī Al-Madkhalī
  • Majālis Shahr al Ramaḍān do Shaykh Muḥammad ibn Ṣāliḥ Al-‘Uthaymīn

Tradução: ‘Aishah bint Humberto Barletta As-Salafiyyah

Texto original: https://www.abukhadeejah.com/fasting-in-ramadan-its-virtues-signs-and-rules-uthaimin-fawzan-and-rabee-al-madkhali/

Compilação por Abu Khadeejah ‘Abd al-Wāḥid

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